Se você é fã de Metallica, provavelmente já tentou ou sonha em aprender como tocar Metallica “Nothing Else Matters” em guitarra. Essa é uma das músicas mais icônicas da banda californiana e, apesar de parecer complexa à primeira vista, é totalmente acessível para guitarristas em diferentes níveis de experiência. A faixa, lançada em 1991 no álbum homônimo, conquistou gerações inteiras justamente por aquela melodia hipnotizante que toca direto na alma de qualquer headbanger.
O que torna essa composição especial é a combinação perfeita entre técnica e sensibilidade. A introdução em fingerstyle, os acordes bem definidos e aquele solo clássico de Kirk Hammett criam uma progressão musical que é ao mesmo tempo desafiadora e gratificante de dominar. Muitos guitarristas começam sua jornada com Metallica justamente por essa música, que serve como um ótimo ponto de partida para desenvolver técnicas de dedilhado e compreensão harmônica.
Neste guia, vamos quebrar cada parte da música para você aprender a tocar com precisão e confiança, desde os primeiros acordes até os detalhes que fazem essa faixa ser memorável.
Como Tocar Nothing Else Matters no Guitarra – Guia Completo
Introdução e Acordes Básicos para Iniciantes
Nothing Else Matters é, sem exagero, uma das músicas mais executadas por guitarristas ao redor do mundo. Lançada no álbum Metallica (o célebre Black Album) em 1991, a faixa se tornou um símbolo da capacidade da banda de transitar entre o peso do thrash metal e a delicadeza melódica. Se você quer aprender como tocar Nothing Else Matters na guitarra, a boa notícia é que a base da música é acessível até para quem está dando os primeiros passos — mas exige atenção à técnica de dedilhado e ao fraseado expressivo.
Antes de qualquer coisa, vale entender a afinação utilizada. A guitarra de James Hetfield nesta música está em afinação padrão (E Standard: Mi Lá Ré Sol Si Mi), sem nenhuma alteração de afinação, o que facilita bastante a vida de quem está começando. Não é preciso reafinar o instrumento.
As posições e acordes fundamentais que aparecem ao longo da música incluem:
- Em (Mi menor) — acorde de abertura e alicerce de toda a introdução
- Am (Lá menor) — presente na progressão do verso
- C (Dó maior) — acorde de tensão e resolução
- D (Ré maior) — transição melódica recorrente
- G (Sol maior) — aparece nos refrões e pontes
- B7 (Si com sétima) — o acorde mais desafiador para iniciantes, exige maior abertura dos dedos
- Cadd9 — variação do Dó que surge em algumas versões e arranjos
Para quem está começando, o foco inicial deve ser dominar o Em aberto e a sequência de dedilhado da introdução. Essa parte, por si só, já é suficiente para impressionar qualquer ouvinte e representa o núcleo emocional da música. Se você tem interesse em conhecer melhor a trajetória da banda antes de mergulhar nas técnicas, vale conferir o que é o Metallica e entender o contexto por trás de um dos grupos mais influentes da história do rock.
Passo a Passo da Sequência de Acordes Principais
A estrutura harmônica de Nothing Else Matters segue um padrão bastante consistente, o que facilita a memorização. Veja a progressão dividida por seção:
Introdução e Verso:
- Em — base inicial, repetida diversas vezes com dedilhado
- Am — resolução suave, desloca o peso emocional
- C — cria tensão antes da próxima resolução
- D — ponte melódica de passagem
- Em — retorno à tônica
Pré-Refrão:
- G — abertura mais luminosa
- B7 — acorde pivot de maior exigência técnica
- Em — retorno à base
Refrão:
- Em — Am — C — D (mesma progressão do verso, com variação de dinâmica)
- G — B7 — Em (fechamento do ciclo)
A chave para executar essas transições com naturalidade é praticar as mudanças de acorde de forma isolada e em velocidade reduzida. O maior obstáculo para a maioria dos iniciantes está na passagem de C para D e de Am para B7. Dedique pelo menos dez minutos por dia exclusivamente a essas trocas antes de tentar encadear a música completa.
Um detalhe relevante: Hetfield utiliza bastante o polegar para abafar a corda mais grave (Mi baixo) durante os acordes dedilhados, o que confere aquele timbre limpo e controlado característico da gravação original. Vale incorporar esse hábito desde o início.
Técnica de Dedilhado e Ritmo da Música
A técnica de dedilhado (fingerpicking) é o coração de Nothing Else Matters. Ao contrário de músicas que utilizam palheta durante toda a execução, esta faixa exige que os dedos da mão direita (ou esquerda, para canhotos) trabalhem de forma independente e coordenada.
O padrão de dedilhado da introdução segue esta lógica nas cordas abertas do acorde de Em:
- Polegar (p) — aciona a corda Mi grave (6ª corda) como nota base
- Indicador (i) — aciona a corda Sol (3ª corda)
- Médio (m) — aciona a corda Si (2ª corda)
- Anelar (a) — aciona a corda Mi agudo (1ª corda)
A sequência de arpejo que Hetfield utiliza na introdução é ascendente e depois descendente, criando aquele movimento ondulante e hipnótico que qualquer guitarrista reconhece de imediato. O padrão básico pode ser descrito como: 6 – 3 – 2 – 1 – 2 – 3 (numeração das cordas), repetido continuamente sobre cada acorde.
Em relação ao ritmo, a música possui uma pulsação ternária que será abordada na seção sobre assinatura de tempo, mas o que importa aqui é que o dedilhado deve fluir de maneira legato, sem interrupções bruscas entre as notas. Evite tensionar demais os dedos da mão direita — o toque deve ser leve e preciso, nunca forçado.
Para quem prefere palheta e deseja adaptar a música, é possível executar os arpejos com movimentos alternados (alternate picking) muito sutis, mas o resultado sonoro será distinto da versão original. O fingerpicking é altamente recomendado para preservar a essência da faixa.
Dica prática: grave sua execução do dedilhado sem se preocupar com os acordes num primeiro momento. Treine apenas o movimento da mão direita em cordas soltas para desenvolver a memória muscular antes de adicionar a complexidade da mão esquerda.
Como Aprender o Solo de Guitarra
O solo de Nothing Else Matters é um dos mais reconhecíveis do rock mundial — lírico, emotivo e tecnicamente acessível se comparado aos solos mais elaborados do repertório do melhor álbum do Metallica segundo grande parte dos fãs, o próprio Black Album. Executado por Kirk Hammett, guitarrista solo da banda, ele se destaca pelo uso expressivo de bends, vibratos e fraseado melódico.
Para aprender o solo, siga esta sequência de estudo:
- Ouça o solo isolado — use ferramentas como o YouTube com fones de ouvido para identificar cada nota e frase. Aplicativos como Transcribe! ou Amazing Slow Downer permitem reduzir a velocidade sem alterar a afinação.
- Identifique a escala utilizada — Hammett trabalha principalmente com a escala pentatônica menor de Mi acrescida de algumas notas da escala natural menor. Conhecer a escala facilita imensamente a memorização das posições no braço.
- Divida o solo em frases curtas — o trecho tem aproximadamente 16 compassos. Aprenda frase por frase, sem tentar executar tudo de uma vez.
- Trabalhe os bends com precisão — os bends de um tom (full bends) precisam atingir exatamente a nota alvo. Imprecisões destroem o caráter melódico do solo.
- Adicione o vibrato por último — o vibrato de Hammett é largo e expressivo. Incorpore-o somente depois que a execução das notas estiver sólida.
As posições principais do solo ficam entre o 12º e o 15º trastes nas cordas Mi, Si e Sol, uma região confortável para a maioria dos guitarristas intermediários. A velocidade não é o desafio central aqui — o que realmente importa é a expressividade. Cada nota precisa ter intenção.
Se você já tem alguma familiaridade com outras músicas da banda, como como tocar Sanitarium, o solo de Nothing Else Matters será um passo natural na sua evolução técnica.
Tempo de Aprendizado para Iniciantes
Uma das dúvidas mais frequentes de quem quer aprender Nothing Else Matters é: quanto tempo vai levar? A resposta honesta depende do nível atual do guitarrista e da regularidade de prática, mas é possível traçar um panorama realista:
- Introdução dedilhada (primeiros 8 compassos) — de 1 a 3 semanas para iniciantes que praticam de 20 a 30 minutos por dia
- Verso e pré-refrão completos — de 3 a 6 semanas, incluindo as trocas de acordes com fluidez
- Refrão e estrutura completa da música — de 1 a 2 meses de prática consistente
- Solo de guitarra — de 2 a 4 meses adicionais, conforme o nível técnico
Para guitarristas com pelo menos seis meses de experiência, a introdução pode ser dominada em menos de uma semana. O solo, no entanto, exige domínio de técnicas específicas como bend, vibrato e legato, que demandam um período maior de desenvolvimento.
O mais importante é não pular etapas. Muitos iniciantes tentam tocar a música inteira antes de dominar o dedilhado básico e acabam frustrados. Pratique cada seção separadamente, em andamento lento, antes de encadear tudo. Use um metrônomo ou uma base de bateria para manter o pulso estável desde o início.
Cifra Completa e Tablaturas
A seguir, apresentamos a cifra simplificada e a tablatura das partes principais de Nothing Else Matters para referência de estudo. Esta é uma representação didática baseada na versão original em afinação padrão.
Introdução — Tablatura do arpejo em Em:
Acorde de Em aberto (todas as notas soltas, exceto indicador na 2ª corda/2º traste e médio na 3ª corda/2º traste):
- e |—0—0—0—0—|
- B |—0—0—0—0—|
- G |—0—0—0—0—|
- D |—2—2—2—2—|
- A |—2—2—2—2—|
- E |—0—0—0—0—|
O padrão de arpejo na introdução (sequência das cordas tocadas em ordem):
- e |——-0———–0———|
- B |—–0—0——-0—0——-|
- G |—0——-0—0——-0—–|
- D |—————————- |
- A |—————————-|
- E |—0———–0————|
Progressão de acordes cifrada (Verso):
Em — Am — C — D — Em
Pré-Refrão:
G — B7 — Em
Refrão:
Em — Am — C — D — G — B7 — Em
Tablatura simplificada do início do solo (posição 12º traste):
- e |—12b14—12—15b17—15—12—|
- B |———————————-|
- G |———————————-|
Nota: b indica bend (dobrar a corda até atingir a nota indicada após a letra). Tablaturas completas e detalhadas podem ser encontradas em plataformas como Ultimate Guitar e Songsterr, onde é possível acompanhar o áudio sincronizado com a notação.
Dicas para Melhorar a Execução
Dominar as notas é apenas o ponto de partida. Para que sua execução de Nothing Else Matters realmente soe bem, algumas práticas fazem uma diferença considerável no resultado final:
- Toque com dinâmica variada — a música alterna momentos de extrema delicadeza com outros de maior intensidade. Não toque tudo no mesmo volume. A introdução pede toque suave; o refrão pede mais presença e pressão.
- Cuide da qualidade sonora de cada nota — no dedilhado, cada nota deve soar limpa e sustentada. Cordas abafadas acidentalmente pela mão esquerda são o erro mais recorrente. Revise a posição dos dedos com frequência.
- Use uma guitarra acústica ou violão para praticar — a versão acústica exige mais força e precisão dos dedos. Quem consegue tocar bem num violão, na guitarra elétrica terá ainda mais facilidade.
- Pratique sem distorção — qualquer imperfeição técnica fica mascarada pelo efeito. Treine sempre no canal limpo (clean) para identificar e corrigir falhas com clareza.
- Grave suas sessões de prática — ouvir a própria execução de fora é uma das ferramentas mais eficazes para perceber problemas que passam despercebidos durante o estudo.
- Trabalhe o ritmo com metrônomo — comece em 50 a 60% da velocidade original e só aumente o andamento quando a execução estiver completamente limpa naquela marcação.
- Estude versões ao vivo da banda — o Metallica tocou Nothing Else Matters em centenas de shows ao longo das décadas. Assistir a essas performances revela nuances de interpretação que a gravação de estúdio não evidencia.
Por fim, vale lembrar que Nothing Else Matters é uma música profundamente pessoal. Hetfield a compôs como uma declaração de amor, e essa intenção precisa estar presente na execução. Técnica sem emoção produz uma versão vazia da faixa. Toque com sentimento, e o resultado será muito mais impactante do que uma execução tecnicamente impecável, porém fria.
FAQ: Quanto tempo leva para aprender Nothing Else Matters no guitarra?
O tempo de aprendizado varia conforme o nível do guitarrista. Para iniciantes que praticam de 20 a 30 minutos por dia, dominar a introdução dedilhada leva de 1 a 3 semanas. A música completa, incluindo versos e refrões, pode ser assimilada em 1 a 2 meses. O solo de Kirk Hammett exige um nível técnico mais avançado e pode demandar 2 a 4 meses adicionais, dependendo da experiência prévia com técnicas como bend e vibrato. A regularidade na prática é o fator mais determinante — tocar todos os dias, mesmo que por pouco tempo, é muito mais eficaz do que sessões longas e esporádicas.
FAQ: Qual é a assinatura de tempo de Nothing Else Matters – 6/8 ou 4/4?
Esta é uma das questões mais debatidas entre músicos que estudam a faixa. Nothing Else Matters está escrita em 6/8, uma fórmula de compasso ternária composta onde cada compasso contém seis colcheias agrupadas em dois grupos de três. É justamente esse compasso que confere à música aquela sensação de balanço suave e ondulante, diferente do pulso quadrado do 4/4 que predomina na maioria das músicas de rock. Alguns professores simplificam o ensino contando em 4/4 com tercinas, mas a leitura correta e a sensação rítmica mais orgânica da música são em 6/8. Compreender essa pulsação ternária é essencial para que o dedilhado soe natural e não mecânico.
FAQ: Quem toca o solo de guitarra em Nothing Else Matters?
O solo de Nothing Else Matters foi executado por Kirk Hammett, guitarrista solo do Metallica desde 1983. Hammett ingressou na banda após a saída de Dave Mustaine e rapidamente se consolidou como um dos guitarristas mais influentes do heavy metal mundial. O trecho em questão é considerado um dos trabalhos mais líricos e emotivos de sua carreira, contrastando com passagens mais técnicas e agressivas presentes em outras faixas do repertório da banda. Hammett utilizou principalmente a escala pentatônica menor de Mi e recursos expressivos como bends, vibratos e slides para construir um fraseado que complementa com precisão o caráter introspectivo da música.
FAQ: É possível tocar Nothing Else Matters como iniciante?
Sim, é possível — mas com expectativas realistas. A introdução de Nothing Else Matters é uma das primeiras músicas que muitos professores recomendam para quem está começando justamente porque utiliza acordes abertos simples e um padrão de dedilhado repetitivo que desenvolve a coordenação da mão direita. A parte mais desafiadora para iniciantes é conseguir que todas as notas soem limpas no fingerpicking sem que se abafem mutuamente, além de realizar as trocas de acordes — especialmente para o B7 — com fluidez. O solo, por outro lado, não é indicado para quem está nos primeiros meses de estudo, pois exige técnicas intermediárias que precisam ser desenvolvidas com tempo. Uma estratégia inteligente é aprender a introdução e a estrutura principal da música primeiro, reservando o solo como objetivo de médio prazo. Se você quer explorar outras faixas da banda com diferentes níveis de dificuldade, confira também como tocar Sanitarium, outra composição icônica com uma abordagem técnica bastante distinta.